Corolla 2.0, tiozão alegre e caro
Roberto Nasser / De Carro por Ai
É curiosa a relação entre a Toyota e a Honda no Brasil. A primeira foi também pioneira montadora nipônica aqui, mas a outra, chegando quase 20 após, faz veículo de duas rodas que ocupa mais espaços nas ruas em volume que a sugere maior que a Toyota. Mera imagem que incomoda a Toyota.
Aqui a Toyota perdeu tempo no implantar produção de automóveis, não investiu para variar o leque de produtos, resumindo-se ao Corolla, enquanto a Honda desceu segmentos com o Fit e sua versão sedã 3 volumes, o City. Por recém lançado, ainda novidade, tem vendas mais rentáveis. Por isto a Honda incrementa sua produção, segurando a do Civic, o que permitiu ao Corolla ultrapassá-lo em vendas. Para manter este diferencial, a Toyota busca soluções para contornar o sacramentado pelo mercado: o Corolla é careta e tem cara de tiozão; enquanto o Civic com sugestão esportiva passa a impressão de refino tecnológico, pelo opcional a que chama de “paddle shift” – borboletas sob o volante para trocar marchas na transmissão hidráulica. Para alterar a imagem de carro pesado em linhas, a Toyota criou versões mais potentes, com motor 2.0 e transmissão hidráulica com quatro velocidades e o tal de “Paddle Shift”. E diz ser o nacional mais potente da cilindrada. Meia verdade – se é que o tema permite tal fração.
Foi-se
Dizem os sapientes árabes, há três coisas sem volta: a flecha lançada, a palavra proferida, a oportunidade perdida. A Toyota montou na terceira opção perdendo boa ocasião para mostrar superioridade tecnológica, tão associada aos produtos japoneses. Seria forma e momento para se contrapor ao desgaste mundial de imagem da empresa que chegou à liderança mas dá prejuízos; que marcou recorde mundial de re-call em projetadas 8M de unidades; e com o ignorar os órgãos do governo envolvidos na investigação dos porquês da ocorrência e da não resolução.
Solução óbvia e imaginada para o momento, superar os concorrentes com motor muito mais potente, foi relegada. O novo 2.0 16V apesar de possuir o sistema Dual V.V.T que muda a regulagem de válvulas de admissão e escape em função da demanda do motorista, não é uma Brastemp tecnológica. Com álcool produz 153 cv – apenas 2 a mais que o francês 2.0 PSA Citroën Peugeot, equivalem em torque, e é menor em potência com uso da gasolina.
Em momento com exigência de ação institucional decepciona ao não hastear a bandeira de tecnologia. Motor maior, preço idem. A versão de topo, dita Altis, 2.0, transmissão hidráulica com 4 velocidades e borboletas ao volante, arranha os R$ 90 mil. Abaixo, XE-i idêntica em conjunto mecânico, quase R$ 80 mil. As inferiores manterão o atual 1.8, transmissão mecânica de 5 velocidades e opção hidráulica com 4 marchas. Todos flex. Na prática tiozão meio anabolizado e caro. No varejo dos negócios, um Ford Fusion 2.5 ou o VW Jetta oferecem muito, muito mais, por menos, bem menos.
IPI reduzido mostrou como o país pode crescer
Fechamento de contas governamentais é demorado pelos prazos concedidos a devedores e bancos para o recolhimento e repasse aos cofres públicos. Mas não será necessário esperar para saber que a benesse da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados não ofereceu prejuízos ao país. Ao contrário, gerou benefícios em círculo positivo, ao manter atividades na indústria, comércio, transportes, serviços, tudo o que gira em torno do automóvel, tema da Coluna.
Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indicou desprezível diferença em arrecadação dos impostos municipais, estaduais e federais em 2009: 0,14% menor que 2008. Não expôs os ganhos nos impostos gerados pela manutenção do dinamismo da economia, do consumo por quem está empregado, o alívio sobre o socorro na pensão da Previdência, a paz social do emprego.
Na prática o que o Governo afere – embora finja não ser com ele – é a regra acadêmica que preço menor fomenta consumo. E como o grande percentual de impostos é parcela sensível na formação do preço final, a redução das alíquotas baixa os números da etiqueta, gera vendas, mantém empregos em revendas, financeiras, transportadoras, montadoras, fábricas de auto-peças, etcccc, etcccc, etccc em enorme cadeia.
Falta leitura para a coragem de entender que mercado de consumo se faz com preço. O Henry Ford pregou isto há quase um século, ao mais que dobrar o salário dos funcionários – contra índices de produtividade – inserindo-os no mercado de consumo de seus Modelos T. E o presidente Itamar Franco entendeu a argumentação da Fiat ao propor reduzir alíquotas e criar a figura do Carro Popular. Itamar, engenheiro com visão social, olhou índices, gráficos, avocou a si a decisão e baixou a alíquota ao mínimo. Ignorou os argentaristas da arrecadação, freou a queda da atividade industrial, do PIB, e utilizou o poder dos números da indústria automobilística para mostrar a positiva reação da economia do país.
Imposto alto só interessa a mau administrador e aos impunes ladrões do dinheiro público. Se o país pretende crescer, ter relevo institucional no cenário mundial, está na hora de mudar. Menos impostos, mais fiscalização, ficha limpa e punição. RN
Roda-a-Roda
Futuro – 21 de abril a matriz Fiat italiana anunciará estratégia até 2014. Exigência de acionistas e banqueiros, para saber como será o negócio no grande projeto de fazer a Chrysler tornar-se viável.
Possibilidades – Teorias muitas, informações poucas, e crença em solução aritmético-legal, a separação de marcas sob controle Fiat. As de maior produção e lucros, mantém-se juntas. Assim, Fiat, FPT – motores e transmissões, Iveco – caminhões, ficam como estão. Volume menor, Ferrari, intocável ícone nacional, e Maserati num bloco; Alfa e Lancia noutro, aptas à simbiose com marcas Chrysler.
Exercícios – Projeta-se, o processo cortará 5.000 postos de trabalho. E que para tocar negócio deste porte, poderá lançar mão de Cledorvino Belini, número 1 da Fiat na América Latina, e mais rentável executivo da marca no mundo.
Expansão –Demorou um ano a montagem da equação financeira para permitir à Geely, maior das marcas chinesas independentes, comprar a quase secular Volvo. Será um grande rótulo de qualidade. A operação permanecerá na Suécia.
Ocasião – Certa que futuro e lucros passam pelo Mercosul, a PSA Peugeot Citroën anunciou investir R$ 1,4B até 2012 no desenvolver novos veículos, motores, aumentar a capacidade industrial da fábrica em Porto Real, RJ.
Amarok – Com lançamento em abril, já há parâmetro de preços para o picape Amarok. Tomando referência no mercado argentino, lá a versão de topo, 4 portas, tração nas quatro rodas, estofamento em couro, custa levemente acima de Toyota Hi-Lux padrão idêntico. Versão logo abaixo, 5% menos. Em agosto versão mais simples, a Trend Line a 10% menos que o segundo degrau. No Salão do Automóvel, em outubro, versões tração simples. O Amarok mira o Toyota. Briga se compra é com o líder.
IPI – Findo o incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados, por bom tempo ainda existirão veículos O km com IPI menor, pois todas as notas fiscais emitidas até 31 de março darão cobertura aos descontos.
Le Patron – A Renault mostrará semana próxima pequenas novidades no Logan – grade, em especial. Atração maior a apresentação por Carlos Ghosn, o brasileiro presidente mundial da aliança Renault-Nissan. Vem dar injeção de ânimo à imprensa brasileira.
Pesados – A NC2, junção de Navistar/International e Caterpillar, mostrou frutos na Austrália: produz os novos caminhões em fábrica da Caterpillar, e chama-os CAT. A Mercedes-Benz quer aumentar sua presença em comerciais no Brasil. Vai faze-los na ociosa fábrica de Juiz de Fora, onde produz o automóvel CLC.
Sem BBB – Chips anti furto estarão nos veículos novos a partir de julho. Os equipamentos não farão rastreamento – tornado opcional – mas localização e bloqueio. Em dezembro em 100% dos veículos nacionais.
Museu – A inauguração do Centro Administrativo do governo mineiro mudou secretarias e serviços, fez vagar imóveis no centro de Belo Horizonte. Da garagem do Palácio da Liberdade, pode surgir um Museu do Automóvel.
? – É inexplicável a olhos extra-montanhas lá não existir tal equipamento, com muitos colecionadores, e quatro ou cinco formando o melhor conjunto do país.
Gente – Eduardo Hiroshi, jornalista, 30, novo editor da revista Car & Driver. Do ramo e com carreira profissional dedicada exclusivamente ao setor. Sábia promoção. OOOO Donald Frey, engenheiro, 86, passou. Foi o criador do Mustang, recorde de vendas e lucros, feito sobre o esgotado chassi do Ford Falcon a pedido de Lee Iacocca. OOOO Augusto Cattoni, professor, 56, novo Diretor de Comunicação e Relações Externas da PSA Peugeot Citroën.






