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O valor de um automóvel antigo está relacionado, intrinsecamente, ao produto. Marca, tipo, estado, nível de originalidade. Em marca e tipo, separam-se os homens dos meninos. Marcas refinadas em engenharia, estilo, performance, separam-se dos carros comuns, usuais. Formam dois universos e não misturam. Originalidade é outro aspecto. O automóvel antigo é um bem histórico, uma ferramenta de educação. Daí, quanto mais original, mais próximo da proposta de servir como referência. Um automóvel dito restaurado nos tempos atuais, melhor que seja, desprezou os materiais de origem, trocando-os por outros, produzidos décadas após. Muito superiores em tecnologia, mas uma agressão contra a história. Assim, tanto mais original, maior o valor. Outro aspecto valorizador, a procedência. Seu antigo proprietário o que era ? Grande empresário, personagem da mídia, político de relevo ? Não há quantificação, mas há uma agregação de valor, dependendo do antigo proprietário. É critério flexível. Independentemente do produto em si, os valores se alteram, dependendo do aspecto institucional, político, e financeiro do país e do proprietário do veículo. Um país em maus dias econômicos não tem massa econômica suficiente para insuflar o mercado de um item econômico periférico como um automóvel antigo. Isto vale para veículos comuns. Para os de marca com sobrenome, com brasão, a conversa é outra. Como se dirigem a compradores acima de crises, mudam de classificação. Passam a ser considerados investimentos e, por isto, tem valor inflacionado. É o que ocorre atualmente no mercado norte-americano. Carros comuns desabaram na proporção direta da renda média e emprego dos habitantes. Veículos de renome tiveram enorme ascensão, transformando-se em ativos, investimentos a gente que investe em itens que nunca se desvalorizam, como as obras de arte. Automóveis de renome são obras de arte em três dimensões e com vantagem imbatível. Remuneram mais sentidos e dão mais prazer que a simplória visão de um quadro ou escultura. Instigam a visão, a audição, o tato, o olfato – e ainda andam !
É o carro A casa Gooding de leilões terá um automóvel que preenche plenamente todas estas condições, e o faz no mais completo nível. Será no elegante e midiático Pebble Beach Concours d ‘Elegance, cinquentenário evento de veículos antigos realizados na charmosa Carmel, na Califórnia. Ali, dias 15 e 16 de agosto, no centro eqüestre, levará ao martelo um Bugatti 57C Coupé, construído em 1938 pelos funcionários da Bugatti e presenteado a m’sieur Le Patron Ettore Bugatti. Tinha detalhes personalizados, únicos, para ligar criador e criatura, como a logomarca EB aposta às calotas, no para choque traseiro e no centro do volante. O desenho foi das últimas criações de Jean, filho e sucessor de Bugatti, morto tragicamente ao se desviar de um carteiro pateta pedalando sem cuidado numa estradinha francesa. A Bugatti é das marcas de maior respeito no campo automobilístico e neste ano o evento de Pebble Beach homenageia a marca. O automóvel foi pouco utilizado por Bugatti, guardado durante a II Guerra. Com seu falecimento em 1947, ficou guardado nas oficinas de Molsheim, onde recebia atualizações tecnológicas na medida em que os componentes eram desenvolvidos. O automóvel, chassis 57335 teve poucos donos após o fechamento da empresa no início dos anos ’50, e foi sempre mantido intacto, sem intervenções ou modificações. Delicadamente a Golding & Cia anunciam não haver reservas, informação que na liturgia dos leilões significa que o proprietário não pode cancelar a venda caso o maior valor ofertado não atinja limite do seu gosto. Mas deve-se projetar um recorde no atual momento. Não apenas porque o automóvel preenche ao máximo toda a relação de parcelas valorizadoras, por tratar-se de peça e referência únicas, mas também pelo fato econômico que os automóveis de estirpe se transformaram em investimentos. Interessado ? Veja outras informações no sítio www.goodinco.com E programe-se. Leitor desta Coluna, mesmo investidor, irá para ver, sorver e ouvir tudo o que oferece o mais charmoso fim de semana antigomobilístico do mundo. O Bugatti estará exposto desde a quarta-feira 12 de agosto, e os leilões a partir das 17h, sábado 15 e domingo 16. O catálogo custa US$ 100, e se do seu interesse, deve se inscrever antes. Boa sorte.
Roda-a-Roda Rodando – Apesar de todos os traumas e medos, a administração de vendas da General Motors e da Chrysler não pararam. Os cortes nas redes de revendedores, baseados fundamentalmente em baixa performance, são paralelos em captação de novos, mais ativos, especialmente fora das grandes metrópoles. Exemplo – Com a linha de produtos reduzida a Chevrolet, Buick e Cadillac depois dos cortes para a proposta de sobrevivência, a GM mirou em ícones para a nova fase: Chevrolets como competidores de Toyota; Buick para enfrentar Nissan; e Cadillac contra Mercedes. Mercado – O que move o interesse dos compradores das marcas e operações GM é a manutenção de negócios. A Magna, austríaca resultado da junção de Steyr, Austro e Puch, fabrica veículos por encomenda de terceiros, incluindo a Opel. Compra-la nada mais é que ampliação de capacidades e manutenção das encomendas. Saturn – Idem para esta marca que pretendia ser concorrente dos japoneses e que, finalmente tem produtos visualmente atrativos. Comprou-a Roger Penske, associado às corridas de Indy, mas grande empresário do setor. Penske distribui o Smart nos EUA e assumiu a marca Saturn, especialmente pela rede de revendedores. A GM será fornecedora de produção e tecnologia para a Penske. Na prática – Insustentável a posição de preços de combustíveis no Brasil relativamente às cotações mundiais, o governo mandou baixa-los. Mas aumentou a CIDE, imposto apelidado de contribuição incidente sobre combustível. Calcula a Fecombustíveis, federação do setor, na prática a redução do diesel será 9% agora, e 8% em julho, com o aumento da adição de biodiesel. Gasolina baixou, CIDE subiu. Para o bolso, igual. Porquê – Nada a ver com aritmética. Apenas, aumentando a CIDE, irriga os bolsos dos governadores. E não reduzindo o preço da gasolina, mantém competitivo – sem baixar - o preço do álcool, agradando aos usineiros. É a campanha para 2010. IPI – Possivelmente não haverá prorrogação da redução do IPI sobre veículos a partir de 1º. de julho. O governo federal entende que as vendas se nivelaram às do ano passado, dispensando o atrativo. Na dúvida, for do seu interesse comprar ou trocar, aproveite agora. Usados, também. O aumento de preços puxará seu valor, hoje irreal. Porém – Entretanto, neste governo, como nunca se sabe se palavra de ministro vale como compromisso ou é apenas momento de mídia, o IPI pode ser postergado até o final do ano, como defende a indústria automobilística. Idem – Se os importados fazem a sua cabeça, o mercado tem oportunidade interessante: começa chegar a modelia 2010. Assim, conseguem-se descontos sensíveis em modelos 2009. E muito atrativos para empresas que ainda tem estoque dos 2008. Ocasião – Para evitar ser barrados no baile da ecologia, a Volkswagen fez liquidação de Touaregs. Condições especialíssimas: R$ 160 mil e 180 dias para pagar. Amigo de algum grande distribuidor VW ? Apresse-se. Estão fazendo repasses e pode ser ótimo negócio. Direto – Sem precisar de amizade, a Ford reduziu o preço do Edge e facilitou o negócio. De R$ 150 mil para R$ 130 mil. Com metade de entrada, saldo em 24 meses sem juros. Explicação, queda do valor do dólar. Mas o Fiesta baiano também baixou. Mudança – A Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mudará de nome. Será Secretaria de Inovação Tecnológica. A visão será de soluções em práticas industriais buscando economia e ecologia, campo onde o Brasil vai bem. Japas 2.0 – A Toyota está em re-acertos internos em sua fábrica de Indaiatuba, SP. Prepara a mudança do Corolla, hoje visualmente pouco atrativo, e ampliará o motor para 2.0, 16 válvulas. A Honda deverá segui-la e, em ambas as marcas os atuais motores 1.8 continuarão sendo oferecidos. No segmento dos japoneses, o Nissan Sentra é hoje o único 2 litros. Marca – 700 mil veículos produzidos é marca comemorada pela Renault neste terceiro ciclo de produção industrial no Brasil – a primeira foi com a Willys, com Dauphines e Gordinis, o segundo com a Ford, por Corcel e Del Rey. O evento está ligado às comemorações dos 10 anos da inauguração da fábrica em São José dos Pinhais. Segundo item, neste volume estão 100 mil unidades do Logan. Gran Livina – A versão 7 passageiros do Nissan Livina, em produção desde março na fábrica Renault em São José dos Pinhais, será lançada no final deste mês. Acerto – A fábrica da Mercedes em Juiz de Fora parou por uma semana. Foi opção para acertar a produção da versão CLC à queda do mercado de exportação, foco básico da empresa. No segundo semestre, outra interrupção. As encomendas caíram 10%. De 22 mil para 20 mil unidades/ano. Rede – Ativa no setor automotivo em Uberlândia, MG, a Dirija é a primeira revenda da Iros Motos no Triângulo Mineiro. Fábrica na Zona Franca, tecnologia italiana, design brasileiro em motos, motonetas e quadriciclos. À frente da Dirija, Anerzírio de Souza Filho. Quer ser referência na concorrência com as motos de olhos puxados. Frase – De Carlos Ghosn, número 1 da Aliança Renault Nissan, sobre a crise de mercado e demissões de executivos:“quem sair agora, não estará saindo, mas desertando”. Ecologia – A fábrica da Ford em Daggenham, Inglaterra, primeira da marca para internacionalização, mudou seu sistema de energia elétrica: agora, geradores eólicos. Gente – Edward Whitacre Jr, ex número 1 da AT&T telecomunicações foi indicado novo presidente da New GM. OOOO Indicado pelo governo norte-americano, maior acionista, veio de dar rumo e resultados à AT&T. OOOO. Jurgen Schrempp, ex presidente da Mercedes e da Daimler-Chrysler, agora aposentado, em negócio de mínima expressão relativamente à sua experiência e patrimônio. Comprou uma taverna, a Herzl, em Kitsbuehel, charmosa cidade austríaca. OOOO Coerente. Quando poderoso executivo, ao contrário de seus colegas apreciando as delícias dos chefs da diretoria, pedia salsichas. OOOO Steve Ballmer, CEO da Microsoft, novo usuário de Ford Fusion híbrido. OOOO A Microsoft é fornecedora de tecnologia de interatividade para o Fusion. OOOO --------------------------------------------------------------------------------------------------- Ecologia. Ford ganha prêmio. Na empresa, é tema antigo
Há um século, quando Henry Ford pregava o uso de álcool produzido pelos fazendeiros a partir de restos de colheitas para utilizar no Modelo T, às experiências de construção de automóveis com soja e cânhamo, sempre foi considerado um bilionário caprichoso. Seu bisneto, William Clay, o Bill, relutou em assumir a companhia, preferindo dedicar-se às questões ecológicas, com aplicações práticas em sua indústria. Era visto como herdeiro com muito tempo útil. Entretanto, parece, esta marca genética funciona e não é coisa de visionários: a Ford acaba de receber o grande prêmio norte-americano da Environment Protection Agency, o órgão de defesa do meio-ambiente, em razão de suas conquistas. Em 2008 conseguiu otimizar a eficiência energética em 5%. Desde 2000 melhorou 35%. No mesmo período reduziu o uso de água nas operações industriais em mais de 52%. Além de programas internos, como fabricação de lápis, canetas e tapetes de itens reciclados, outros passos ajudam a consolidar a marca como a mais preocupada dentre as norte-americanas com as questões ambientais. Em termos de produto revê a linha e tem os automóveis mais adequados às exigências do consumidor norte-americano de hoje, e busca soluções práticas. Hoje seu híbrido Escape é o utilitário esportivo com maior eficiência energética; o Mercury Milan Hybrid, quando comparado com o Toyota Camry é 20% mais econômico; desenvolveu um recheio de estofamento a partir da soja; e iniciou colocar no mercado um novo caminho em motores, o Ecoboost, de menor cilindrada e com turbo alimentador, igualando rendimento, reduzindo consumo. Teimosa pioneira neste caminho em direção às demandas dos consumidores, é exemplo que ecologia, além de permitir ganhos econômicos na otimização de processos, é caminho a ser seguido por todos. |