Mercedes mineiro, novidade maior do 2º. semestre

Ano novamente recordista em compras de automóveis nacionais e estrangeiros, com vendas superando 3 milhões de unidades, o segundo semestre, sempre rico em novidades, também será de marcantes atrações.

Tudo é conseqüência do cenário mundial, dos bons reflexos sobre a economia brasileira, e da inscrição do Brasil no rol dos mercados mundiais ainda não saturados pela produção de autoveículos, atraindo investimentos, fomentando a produção. Por outro lado, a competição pelos compradores exige novidades e lançamentos.

Período que embute os lançamentos de ano-modelos, neste ano conta com a excepcionalidade de um agente externo: a Receita Federal. Sua greve atrasou liberações, acumulou providências, postergou envios – adiou lançamentos.

No cenário, o rótulo de mais expressiva novidade será do Mercedes-Benz CLC, em outubro. Automóvel em posição curiosa e mista, situa-se no limbo classificatório. Dele não se pode dizer seja nacional, eis que montado aqui com esmagadora maioria de peças alemãs, e minudências nacionais. Mas, também, não pode ser chamado estrangeiro, pois a junção das peças moldando-o, é feita no Brasil. Paga impostos pelas peças estrangeiras e, como nacional, está isento do pagamento de imposto alfandegário, mas submetido à cascata interna de tributos.

Justifica o rótulo de mais importante. A marca da estrela é um mito, e dos sonhos de consumo, o mais acessível.

Tentativo panorama de lançamentos exibe o seguinte:

Fiat Strada – Outro produto e versões derivadas da linha Fiat. O picape Strada manterá a líder e bem sucedida cabine estendida nas versões de topo, e terá duas opções com diferenças visuais. Para uso social, a nova frente do Siena, com atrativos faróis, grade cromada, aplicações de painéis plásticos nos pára-lamas, e tentativos refinamentos. Para trabalho, menos enfeitada, cabine simples. Em todas, maior altura livre do solo e bitolas maiores, conseqüência do revisar das suspensões. Possivelmente o sistema Locker será opção às duas.

Agosto

Chevrolet Captiva – Utilitário esportivo mexicano, motor V6 a gasolina, 2.7. A GM dará muita ênfase, utilizando-o para substituir o desenvolvimento e atualização não realizados no Blazer, embora a GM não deva apresentá-lo assim. Preço deve ajudar: pouco acima de R$ 100 mil.

Dodge Journey – Também mexicano, V6, 2.7, gasolina. Não é mono-volume, nem utilitário esportivo, nem sedã. Sua morfologia e aplicativo dão-lhe o inexplicável rótulo de Crossover. Seja lá o que for isto, mistura conceitos. Mescla compartimento de bagagens com o de passageiros, como os monovolumes; tem elevada altura do solo, como os utilitários esportivos; desfruta da rolagem agradável dos sedãs. Lançamento adiado pela greve da Receita. Preço estimado em R$ 100 mil. Em matéria de novidade, peitará o Captiva pela novidade e por apresentar 7 lugares.

Setembro

Fiat Linea – Hora do sedã de três volume baseado na plataforma do Punto. Árdua missão de abrir espaço entre os múltiplos sedãs na faixa de maior crescimento, e marcar a Fiat como concorrente no setor, como o foi com o Tempra. Atrativos, o charme do estilo por Giugiaro, a maior distância entre-eixos, garantia de conforto aos usuários, e as novidades dos motores novos, ambos quatro cilindros e 16 válvulas: 1.9, 130 cv desenvolvido no Mercosul, e 1.4, 150 cv, Turbo, importado.

Ford Edge – Utilitário esportivo, produzido pela Ford no Canadá, V6, importado em substituição ao Explorer para incluir a Ford na listagem dos vendedores deste tipo de veículo. Diz-se, custará R$ 150 mil. Deve ser menos. A crise norte-americana para este tipo de veículo deve derrubar preços na origem.

Honda Fit – Reformulação de estilo e padronização da cilindrada do motor, agora nacional e flex.

Outubro

Peugeot 207 Passion – O sedã de três volumes exibido como instigação durante a apresentação do hatch e SW 207 Mercosul. Motorizações 1.4 e 1.6.

Honda Fit sedan – Ainda sem nome escolhido, intenta ser degrau inferior ao Civic, numa escadinha de modelos e versões. Como sedã três volumes, encaixado entre o Fit e o Civic, fazendo interface de preços por equipamentos. A versão mais simples, a preço inferior ao Fit topo de linha com transmissão CVT e, a mais equipada, valor superior ao Civic mais simples.

Ford Focus – Atualização do automóvel de irrepreensível comportamento, nunca lembrado pelo mercado, e vendas desproporcionais às suas qualificações. Outro carro. Maior, mais espaçoso. O antigo continuará como versão de base. Argentino, terá preços competitivos. A Ford quer começar de novo neste segmento.

Chery – Primeiro dos chineses construído – ou cometido – na América do Sul, fruto de junção de interesses da chinesa Chery com capital e expertise latino-americana da Socma, do grupo Macri, ex-montador de Peugeots e Chevrolets na Argentina. Do Uruguai, sem impostos e com algumas auto-peças locais, argentinas e brasileiras, tende a ser o mais barato do mercado, a menos de R$ 20 mil.

Gol sedã – Fosse utilizar o nome pelo qual ficou marcado o antigo sedã da família Gol BX, chama-lo-iam Voyage. Mas a Volkswagen diz ser o nome especulação da imprensa. Analisa Fênix, Luna – e Voyage, melhor, conhecido, e de boas lembranças.

O inexplicável complexo de superioridade da Volkswagen manteve-a fora do segmento dos sedãs baseados em carros pequenos, o que mais cresceu. Depois que a soberba de comportamento levou-a a perder décadas de liderança no mercado, tenta corrigir com novidades, atualizações e opções.

Citroën C5 – Belo francês, bem acertado em espaço, confortos, mecânica e preços. Sucesso de vendas na Europa tem lançamento sempre adiado no Brasil por falta de disponibilidade. O crescimento brasileiro tem funcionado como alavanca institucional e por isto a apresentação pré-Salão do Automóvel. Preço ? estimado em R$ 90 mil. Será uma das maiores atrações no mercado.

Mercedes CLC – É o Mercedes fabricado em Juiz de Fora,MG, e até outubro, destinado apenas a exportações. Modelo novo, com vendas iniciadas há dias na Europa. É cupê baseado na plataforma da Série C, entretanto encurtada e com espaço sacrificado nos bancos traseiros. Motor 2.0 com compressor, o supercharger, 184 cv de potência, transmissões mecânicas de 6 ou hidráulica com 5 velocidades. Será apresentado no Salão do Automóvel, com vendas previstas para novembro. Preço ? Á base da palpitologia projetado em R$ 140 mil.

Novembro

VW picape – O Saveiro sobre a plataforma do Polo, adequada ao novo Gol NF. Focando no sucesso do concorrente Fiat Strada, terá opção de cabine estendida.

--------

Roda-a-Roda

Mando – A ascensão do bilionário e nonagenário Kirk Kerkorian como detentor de 6,5% das ações do conglomerado Ford, o maior percentual extra-família, dá-lhe poder direto de sugestão aos controladores e executivos. Analistas norte-americanos intuem ser dele a proposta de venda da Volvo e seus ativos à Renault, em oferecimento anotado semana passada. A Ford, como a GM e a Chrysler LLC, em crise comum no mercado norte-americano, focam no negócio principal. Kerkorian, ganhador com ações, em especial na indústria automobilística, onde agita, ganha - e sai.

Avença – No acordo assinado entre Brasil e Uruguai, para integração econômica, o Brasil poderá exportar 6.500, e importar 20.000 unidades/ano. Na prática o número é maior que toda a produção automobilística uruguaia. O Brasil quer ajudar o vizinho, incluindo financiamento do BNDES para produção de auto-peças.

Álcool – A petrolífera Shell, no Brasil em morna atuação na distribuição de combustíveis, focando atenções em prospecção de petróleo, aplicará recursos em biocombustíveis. Leia-se etanol de cana e de celulose. Entende o etanol como bom para a economia e o meio ambiente. E os de milho e trigo como exigentes de subsídios para concorrer com o etanol.

Retorno – Quando adquiriu a norte-americana de tratores Case, a Fiat,vindo de assumir a operação de tratores Ford, mudou tudo. De nome, para CNH – Case, New Holland – e unificou operações, fechando a fábrica Case em Sorocaba, SP. Agora, com a demanda mundial por alimentos, a expansão dos negócios agrícolas, e as exigências por produtividade, reabrirá a fábrica no antigo, famoso e secular ponto de negócios de gado e tropa. Exportações.

Solução – Num gargalo industrial limitador de produção, a Fiat reabriu a parte veicular da fábrica de Córdoba, na Argentina. Fará o Pálio e exportará parte ao Brasil. A Fiat acredita vender tudo o que fizer. No vizinho país faz motores Fiat e transmissões para a Peugeot.

Surpresa – Novidade superior à simples mudança do entorno da carroceria e do batismo como 207, é a redução de preços do hatch e da camioneta SW. Cerca de respectivos R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Na disputada faixa de preço, argumento de peso.

... II – A surpresa atinge os recentes compradores das últimas unidades. Pagaram mais caro pelo automóvel com cara antiga.

... III – Decepcionou o mercado os valores indicados para o Novo Gol: a partir de R$ 28 mil. Mas venderá.

Segurança – Poderosa multi produtora de auto-peças, a TRW iniciará produzir almofadas de ar no Brasil. Hoje, as utilizam 700 mil veículos/ano ( 23% da produção ). Mercado bom, com sinalização de aumento, se aprovado o Projeto de Lei 1.258, tornando obrigatório seu uso, iniciando com 30% da produção.

Pinocchio – A Caoa, que representa a Hyundai no Brasil não é exatamente um parâmetro de verdade. Em grandes anúncios, sugere o bem vendido utilitário esportivo Tucson, em versão V6 e tração nas 4 rodas, a partir de R$ 79.990.

Escondidinha, última linha, após a relação de revendedores, a explicação: este é o preço da versão 2.0, tração em duas rodas.

Já pensou ? – O PLC 122/06, em curso no Congresso, para defender os direitos dos homessexuais criminaliza a homofobia. Mas pode trazer conseqüências mais amplas e desastrosas que o respeito buscado na proposta. Se você demitir um homossexual, ou não quiser vender-lhe seu carro, imóvel, ou qualquer situação da vida civil, pode ser denunciado por homofobia - e condenado à prisão.

Ocasião – Antes que declarar-se homossexual se transforme em patamar social de superior proteção legal, está na hora dos legisladores cairem na real e revisarem as regras de proteção às minorias. Num país de ampla mescla racial, qualquer suposta proteção a uma minoria é discriminação às outras. A Constituição, lei maior, veda a discriminação por raça, religião ou cor. É só fazer cumprir. Leis específicas ao tentar proteger, criam a discriminação.

História – A Porsche comemora 60 anos, e a revista Playboy fez boa matéria sobre a carismática marca. Mas o jornalista Flávio Gomes, admirador de Lada e DKWs, animador do blig do gomes, sem estar afetado pela opulência da Moça-Melancia, matéria de peso na edição, observou: o automóvel da foto principal do texto, com o ator e corredor de automóveis Steve Mc Queen, não é Porsche, porém Ferrari. Os coleguinhas playboyzianos derraparam.

Atrás