Atualização tecnológica, de conforto, nova versão e, ao final, redução de consumo são as novidades do Honda Civic 2010.

O ganho está na substituição por motor elétrico, da bomba hidráulica auxiliar do sistema de direção, acionada pelo motor principal. Nada inovador, há anos em Fiats e Citroëns, principal vantagem é não consumir força do motor. Na prática, um pouco mais de disposição e um pouco menos de consumo.

Refinamento operacional pela mudança do compressor e condensador do ar condicionado, para idênticos resultados, e acerto no gestor eletrônico, popular e nacionalmente batizado com nome Fiat: “Centralina“, compõe a troca de marchas na transmissão hidráulica e afinar a marcha lenta do motor.

Como atualização de confortos, retrovisores externos embutem os piscas laterais e são dobráveis – omissão inexplicável em veículos com este propósito, preço e demanda dos clientes - e o porta-malas aberto com chave.

A nova versão LXL – digamos Luxo Light - é intermediária, acima da básica LXS – Luxo Simples - e abaixo da EXS, porta itens atrativos, opção em couro no revestimento das portas, rodas leves aro 16”; caixa mecânica com 5 marchas ou hidráulica com comando por borboletas no volante.

Bom pacote de segurança: freios a disco nas 4 rodas; ABS e seu gerente EBD; duas almofadas de ar na dianteira; apoio de cabeça e cintos de segurança com ancoragem em três pontos para todos os cinco usuários.

Correndo atrás

A enzima para as mudanças não está na demanda dos consumidores – desconhecedores de coisas simplórias como adequação entre motor e transmissão, faixa de torque e sua ocorrência maior, número de marchas, enfim, os definidores de comportamento e boas sensações ao uso de um veículo. A instigação está nos mapas de vendas, na liderança do Toyota Corolla. Inexplicável a alguns no comparativo de estilo – apenas mais um no universo despersonalizado de formas, e na descombinação entre corpo e dianteira, ao contrário do futurístico, contestado, porém inequivocamente individualizado Honda Civic.

Daí as mudanças, compatibilizando custos e propósitos, não corrigiram sua principal deficiência, as primárias dobradiças no porta-malas, usurpadoras de espaço útil, redutoras de capacidade, agressoras das malas e volumes ali contidos.

Motor inalterado: dianteiro, transversal, bloco em ferro, quatro cilindros, 16 válvulas. 1.800 cm3 de cilindrada, 140 cv @ 6.200 rpm com álcool e 138 cv com gasolina. Torque de 17,7 ou 17,5 kgfm a inadequadas 5.000 rpm.

Permanece a versão Si, elite na marca brasileira, motor 2.0, bloco em alumínio, dotes esportivos: 192 cv @ 7.800 rpm, torque de 19,2 kgfm @ 6.100 rpm, transmissão mecânica de seis velocidades.

Quanto custam

A curiosa apresentação em janeiro, mês de baixa comercialização, esperou a baixa de estoques da versão anterior, forma de passar as últimas unidades sem liquidações predadoras em lucros e à imagem da marca. Na beirada do balcão de negócios, as pequenas adições, significaram salto de quase R$ 10 mil.

Preços se abrem em R$ 65.745 para a versão mais simples, LXS transmissão mecânica; passa ‘a nova LXL a R$ 66.405; pela EXS com revestimento em couro e transmissão automática a inexplicáveis R$ 85.610, e a diferenciada Si, obviamente disponível apenas em transmissão automática, a R$ 103.650.

Os R$ 650 de diferença entre a básica LXL e a LXS não sugerem vida longa.

---------------------------------

Legenda 1: Civic versão 2010. Acertos mecânicos e de conforto

-----------------------------------------------------------------------------------------

De Carro em Cartagena de las Indias

A sensível redução da violência na Colômbia – jogo duro contra o narcotráfico, a corrupção e as FARC; as dificuldades a turistas demandando os EUA; o aumento de capacidade aquisitiva brasileira; os preços desmesurados do turismo interno; e vôos diretos – e baratos – criaram nova vertente turística.

E, no vizinho país, a atração maior não está na capital Bogotá, mas em Cartagena de las Indias, a oeste, ponto de encontro de história e do mar do Caribe. Ex-maior porto da América Latina, preserva a arquitetura colonial cercada por largo muro de pedras, o clima de cidade pequena, segura, recebe ondas de turistas – há, diariamente, pelo menos, um navio de cruzeiro despejando maioria norte-americana. Uma Ouro Preto com mais clima, ruas planas, grande riqueza arquitetônica e histórica, em especial quanto ao ouro e esmeraldas. Dizem os entendidos, as melhores do mundo. Brasil em 2º, Sudão terceiro. A cidade pulou os muros e se espraiou para um milhão de habitantes e dos quais 10% na cidade original – parece bem menos.

Se você for a Cartagena, evite alugar automóveis. Sua maneira de dirigir provocaria acidentes. Lá, para pequenos taxis amarelos, Hyundai Atos, Daewoo, agora Chevrolet Spark, chineses Chery, motos também pequenas e micro ônibus feitos em pequenas oficinas, extravagantes em decoração, carroças e coches a cavallo - os códices internacionais são letra morta. Não há prioridade de uso nas faixas de trânsito e tanto a carroça quanto pequenas motos de polícia se arrastam – até pela faixa da esquerda. Sinalizar mudança de direção, ou manter-se na faixa de rolamento ao lado da interseção, inexiste. Não há limites ou bom senso para parar. E, qualquer lugar, entre deter a marcha e dar um golpe de direção, ou seguir na contra-mão, as opções são pelo andar. Faixas de pedestre são ignoradas.

Vantagem, os pequenos taxis parecem figurar em filme norte-americano: estão sempre à mão. E não tem taxímetro. Preços fixos, usualmente PC$ 5 mil – ou R$ 5 – para ir dos bairros à cidade histórica. PC$ 6 mil se depois das 20h.

Comida barata – a combinação entre o pargo vermelho na brasa, arroz com coco e banana verde frita é o prato local oloroso, insólito, gostoso, encontrável em locais com boa cara a partir de R$ 15. Gasolina barata, uns R$ 0,70 o litro, telefone internacional a R$ 0,70 o minuto. Como é caro e descontrolado este Brasil – e como tem gente ganhando a diferença.

Vale a pena. Povo agradável, hospitaleiro, tudo colorido, música no ar, seguro, resgatar as boas sensações de passear a pé. Gasta-se relativamente pouco, menos que no Brasil. E, se você é designer de veículos, pode arriscar ganhar um troco durante as férias. Os micro são chassis de camionetas, com rodado duplo no eixo de trás, enormes balanços nas extremidades, planos descombinados. Uns Corcunda-de-Notre-Dame sobre rodas e cheios de acessórios. A viagem vale a pena. De avião.

-----------------------

Legenda 2: Ônibus decorado e taxi que para em qualquer lugar

--------------------------------------------------------------------------------------------------

FORD MUDA CONCEITO DO CONSOLE

Volta e meia aparece um sujeito fora da atividade, dá soluções e altera conceitos de produtos e seus componentes. Aconteceu agora com a Ford e Alan Mulally, seu presidente, egresso da Boeing. Mulally se diverte com o sistema Sync, no Brasil disponível no Ford Edge, pelo qual por comando de voz é possível ligar e falar ao telefone. A versão 2010, por ele apresentada, mescla funções de comunicação, fazendo o automóvel se transformar em ambiente de trabalho ou lazer e diversão. Celular, internet sem fio, GPS, mapas on line, twitter, rádios de todos os tipos, toca CDs e DVDs, notebooks com banda larga, controle do ar condicionado, do aquecimento, tudo está no espaço anteriormente chamado Console.

Jornalistas especializados prevêem, carros com o sistema venderão duas vezes mais rápidos do que sem. É caminho interessante, com certeza copiado por outros fabricantes, e dentro de pouco tempo democratizado e exigido.

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Roda-a-Roda

Começou bem – Aproveitar a realização do Rallye Paris-Dakar entre Argentina e Chile; fazer do picape Amarok, o carro oficial; aplicar sua logomarca nas vezes em que a TV mostrava a liderança – e vitória – da equipe VW, com anônimo Touareg, divulgaram intensamente o novo produto. Em tese o Amarok tem tudo para começar bem.

Líder – Enfim, a lógica. O Brasil passou a ser o maior mercado Porsche na América Latina, superando o México. O revendedor oficial Stuttgart vendeu inimaginadas 553 unidades em 2009, 25% a mais sobre as projeções. Para 2010 Marcelo Visconde, importador, projeta crescer entre 10 e 15%.

Sobe – Em ano de mercados estagnados, a Kia anunciou crescer globalmente 20,1%. Na prática 1.651.920 unidades. Líder, o Cerato vendeu 304.295.

Patrocínio – Projeto de Lei 6588/09, do deputado Márcio Junqueira (DEM-RR), propõe reverter 1% dos lucros da indústria automobilística e de pneus ao Fundo Nacional de Meio Ambiente, para aplicação exclusiva em projetos de uso sustentável de recursos naturais. A escolha dos setores está na razão direta da poluição que geram. Vai dar confusão. Todos os parlamentares, de todos os estados e municípios também quererão a compensação.

Auxílio – Para formar os R$ 6,2B necessários ao seu projeto de crescimento, a Volkswagen tomou empréstimo de R$ 2,2B no BNDES, e aplicará 60% para reformular o sistema produtivo, e 40% para alterar produtos.

Negócio – Para quem acompanha a indústria automobilística, a participação da matriz com 1/3 da verba e autorizar a tomada de empréstimo significa reconhecer o relevo da VW Brasil no cenário mundial. É medida de prestígio ao atual condutor da empresa, Peter Schmall.

Pedreira – Dificuldade será compor com o sindicato de metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, sede da pioneira e grande fábrica VW. Reformulação de manufatura significa processos mais modernos e menos mão de obra. O sindicato, produtor de políticos, pouco flexível, já provocou montadoras a escolher outros lugares para produzir com mais paz.

Também – A Mercedes-Benz também foi ao mesmo andar no imponente prédio: assinou promissória. R$ 1,2B.

NiTAM – Quem tomar avião da TAM nos próximos seis meses não escapará de ver anúncio da Nissan sobre produtos e promoções. Serão 123.000 vôos, mais de 2 milhões de pessoas. Faria mais sucesso se vendesse carros com pagamento em milhagem.

Fica – A respeito da nota da Coluna semana passada, sobre a desmobilização industrial da Caterpillar no Brasil e o estorno de linhas de montagem para os EUA pela valorização do real frente ao dólar, Rosa Morais, diretora da empresa, negou qualquer movimento mudancista, da fábrica, ou na lista de produtos. A fonte estava errada. Bom.

Mais – PSA, holding da Peugeot – Citroën, anunciou contratar 700 novos funcionários para o terceiro turno na produção dos Peugeot 207 e Citroën C3 em Porto Real, RJ. Cresce 32%, passando a 2.900 metalúrgicos.

Gás – Para caminhão feito em Minas, piloto idem. A Iveco contratou o hábil Cristiano da Mata para sua equipe na Fórmula Truck. Ex-campeão em Fórmula Indy e com experiência na Fórmula 1, recuperou-se de acidente com extensos danos. Ter piloto da melhor qualidade para melhores resultados, é metade da fórmula. A outra é desenvolver tecnologia de preparação, nivelada aos líderes.

Não perca – Terceiro e último número da série “História do Automóvel“, do decano dos jornalistas especializados em automóvel José Luiz Vieira, com textos, fotos e comentários sobre produtos entre 1950 e os dias atuais, está em pré venda. R$ 108 na Editora Alaúde: www.alaúde.com.br

Gente - Zilda Arns, médica, 75. Com ações práticas, sem verbas ou programas mirabolantes ou eleitoreiros, mas visita de médicos, enfermeiros e voluntários aos lares de famílias, reduziu monumentalmente os óbitos infantis. Soterrada no Haiti. OOOO Roberto Miranda, 60, odontólogo, antigomobilista.ativo, movimentado, conseguiu feito atestador de sua simpatia: carioca, foi presidente do clube de veículos antigos de Vitória, ES. Enfarto .OOOO Luiz Pereira Bueno, 73, ex-piloto, fez e teve comemorado aniversário. Merece todas as festas, como líder e exemplo de geração de pilotos.OOOO.

------------------------------------------------------------------------------------

Museu homenageará 50 anos do JK

Para marcar os 50 anos de lançamento do FNM modelo JK, ocorrido durante a inauguração da Capital Federal, o Museu do Automóvel, em Brasília, fará exposição para relembrar o caminho do Alfa Romeo Berlina Due Mille produzido no Brasil.

Quer enfatizar a importância do JK – assim batizado pela estatal Fábrica Nacional de Motores em homenagem ao presidente Juscelino Kubitschek – seu lançamento dentro do programa de inauguração da Capital; sua estréia em corridas naquele mesmo dia; a vitória como primeiro carro nacional nas Mil Milhas, sempre dominada pelos estrangeiros; idem, nas 12 Horas de Brasília abrindo a temporada nacional; seus dotes de tecnologia.

Também exporá modelos assinaladores de sua evolução; versões especiais, como o TIMB, o Onça e o Fúria GT, e seu desdobramento, o Alfa 2300.

Em abril. Informações: curador@museudoautomovel.org.br

Atrás